“Celulite” é uma expressão clinicamente correta?





Na realidade, o termo "celulite" é incorreto para esta afecção, mas é assim vulgarmente conhecido. Por sua vez, existe um outro termo que os especialistas utilizam para este problema, a "lipodistrofia", que também parece não ser o mais adequado para definir o tecido adiposo "celulítico" porque este permanece normal na sua estrutura.

Como, por seu lado, existe ao nível do tecido conjuntivo (local onde se instala a conhecida celulite) uma grande retenção de líquidos, há quem prefira o termo "hidrolipodistrofia". Alguns autores utilizam ainda o termo "esteatomeria", que se dirige essencialmente aos depósitos de gordura que se instalam na zona externa das coxas e nádegas e que conhecemos com o nome de "culote".

Uma vez que, como se verifica, não existe um termo unanimemente reconhecido, adaptou-se a expressão "celulite" por esta ser a mais vulgar e reconhecida por todos.

O que é a celulite?

É a conseqüência de todo um conjunto de alterações ou modificações que se verificam ao nível do tecido conjuntivo subcutâneo.

Tais alterações são provocadas, à partida, por: uma vasodilatação provocada pela estase venosa e linfática, ou seja, pela lentidão da circulação do sangue e linfa que se verifica a esse nível, não irrigando convenientemente a zona e, por isso, dificultando as suas trocas metabólicas normais; uma retenção dos líquidos que se vão acumulando cada vez mais, aumentando as substâncias tóxicas; uma transformação das fibras aí existentes, o que também dificulta as trocas metabólicas entre o sangue e as células e fibras conjuntivas. Este processo conduzirá, necessariamente, à acumulação de adipócitos (células de gordura) e de toxinas celulares.

Existe no tecido conjuntivo uma substância (a substância fundamental) que se começa a tornar cada vez mais viscosa. Em princípio, é esta substância fundamental - que serve de intermediário importante nas trocas entre o sangue e as células - que, ficando mais espessa e viscosa, faz com que o tecido conjuntivo entre num processo de "asfixia". Isto conduzirá, por sua vez, à lentidão das trocas entre a circulação do sangue e da linfa e as células conjuntivas. Em conseqüência deste fenômeno, os adipócitos ficam sobrecarregados de gordura, as fibras conjuntivas transformam-se e a circulação torna-se cada vez mais difícil (estase circulatória). Por outro lado, verifica-se também uma hipertrofia das células adiposas em conseqüência de uma sobrecarga em triglicérides.


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